Formato Guifes #3 – Tecido Empresarial

FORMATO GUIFES #3 – “Tecido Empresarial”, por João Pinto.

Filipe Francisco Fajuto, Senhor director geral, chegou na reunião de terça, à análise final. Precisa a Lanificias, SA, nesta fase menos má, de um tremendo salto em frente em direcção ao cliente. Discursou então Filipe perante os seus managéres (na maioria homens que cochicham tal qual mulheres), que a solução perfeita era a aposta agora eleita de uma focalização franca no truço de malha branca. Aprovada então a medida de forma decidida em voto de unanimidade, começaram as reuniões, as conferências, decisões, para aplicar com rigor a decisão do “sôtor”. A grande questão era agora, saber sem mais demora, qual seria hoje em dia o elemento mais-valia a aplicar no bikini. “Olha lá, espera aí” disse logo o Sr. Fajuto, “eu também estou a ser bruto, já está tudo orientado. Se o tecido é todo igual, e o reforço é tal e qual, o nosso diferenciador fantástico vai residir no elástico!”

Foi acaso, ou assim quis Deus, abriu a ElásticosMeus, ali num bairro vizinho. Abriu logo ali bem pertinho e vá lá ver o seu produto, que era da Família fajuto, tinha exactamente as premissas que queria a Lanificias. E mais…..

Não é que um mês depois, estavam sentados os dois numa amena converseta? É verdade! Francisco Fajuto, cliente, num ameno frente a frente, com Francisco Fajuto, fornecedor. Foi um parto complicado, mas passado um bom bocado chegaram a entendimento. Concordaram nos montantes e todos os pormenores importantes. Convém também realçar, que Francisco Fajuto, director, tocou-se e fez o favor, de sair de administrador da fábrica dos elásticos. Nomeou seu sucessor, o filho, Senhor Doutor, Sr. Zé Romeu Fajuto, porque tinha orgulho no puto!

O negócio estava em subida, à que grande grande vida, piscinas, vivendas, Malvinas, Haciendas, carrões e Revistas, vivendo dando nas vistas, bom partido das solteiras. Diz Fajuto filho em vez de ter maneiras “é meu, paguei eu, se estragar, vou eu pagar!”, e desata Fajuto Filho a aumentar contas, custos e passivos, que em anos sucessivos davam sempre sempre lucro. Lucro? Claro, Fajuto pai comprava caro, e o filho pois claro, vendia ao preço que queria….até ao dia! O truço passou a cliché, a cueca a demodé, e Fajuto pai não consegue virar a sorte que o persegue. Começam os telefonemas a reportar problemas. “ó Sr. Fajuto Filho, fala Armando Martins, que rega os jardins à volta da sua empresa. Será que essas facturas vão ser pagas ou passam a contencioso? ò Diabo! Receoso, o filho, qual andarilho, em reunião de urgência, repara na emergência que tem em fazer downsizing. Amazing! Queres ver que a culpa agora é dos que toda a vida fora trabalharam na borracha? Estica-te, haja elásticos, que estes ciclos fantásticos vão sempre bater no mesmo. O tecido empresarial, não está mal, está muito mal, tal qual manta de retalho. Os Fajutos abriram falência, ficaram com as casas, com os carros e o resto foi pó…..

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